segunda-feira, 4 de setembro de 2017

Cidades do interior de Pernambuco vão receber novos promotores de Justiça

Vinte e um profissionais concluíram o curso na sexta-feira e assumem promotorias a partir desta segunda.
Foto: Acervo JC Imagem
A partir desta segunda-feira, 21 novos promotores de Justiça do Ministério Público de Pernambuco (MPPE) estarão assumindo comarcas no interior do estado que estavam sem titulares. O grupo participou na sexta-feira do encerramento do curso que durou 20 dias. O evento foi presidido pelo procurador-geral de Justiça, Francisco Dirceu Barros. Participaram ainda representantes do MPPE e o defensor público geral, Manoel Jerônimo, que fez uma palestra para os novos promotores. Aprovados no concurso do ano de 2014, esses profissionais foram nomeados na atual gestão e serão encaminhados para cidades do Sertão, do Agreste e da Zona Mata do estado. Segundo o procurador-geral de Justiça, atualmente existem 146 promotorias em Pernambuco sem um promotor responsável.
“Com a ida desses 21 promotores para o interior, reduziremos um pouco o número de cidades sem promotores. No mês de novembro, outros 20 profissionais serão nomeados para assumirem outras promotorias. No entanto, o déficit ainda é grande”, ressaltou Francisco Dirceu Barros. Na conversa com os novos promotores, o procurador-geral falou ainda sobre os desafios que serão enfrentados por eles. “Muitos de vocês irão reclamar da estrutura de trabalho que encontrarão quando chegarem às comarcas, mas não esqueçam que a população precisa de vocês. E saibam que a Defensoria Pública e o Poder Judiciário são grandes parceiros do Ministério Público de Pernambuco”, destacou Barros. O novo time de promotores seguirá para cidades como Terra Nova, Parnamirim, Verdejante, Carnaíba, Betânia, Trindade, entre outras.
Ainda em sua fala sobre o cotidiano de um promotor de Justiça, o procurador Francisco Dirceu Barros alertou que os promotores precisam ter muita atenção em cada caso que irão assumir. “O que vocês aprenderam na faculdade e nos cursos que fizeram é muito pouco. A pessoa se torna promotor de Justiça exercendo a função, na prática. Uma coisa que eu digo aos senhores é que nunca peçam a condenação de uma pessoa se não houver provas contra ela. Chamo isso de síndrome do travesseiro de pedra, você não conseguirá dormir em paz se condenar uma pessoa sem provas”, alertou Francisco Dirceu Barros. Outro ponto abordado pelo procurador-geral foi a atenção com a família. “Nenhum sucesso profissional justifica o fracasso familiar. Não deixem de aproveitar os momentos com seus familiares. Cuidem de vocês e dos seus parentes”, recomendou o chefe do MPPE.
Natural de São Paulo, o promotor de Justiça Vinícius Costa e Silva, 30 anos, está de mudança com a família para a cidade de Toritama, no Agreste. “Já conheci a comarca onde vou trabalhar e também estou indo morar lá com minha esposa e meu filho, que tem pouco mais de um mês de nascido. Vou para Toritama com a expectativa de fazer aquilo para o que fui treinado. Espero que haja diálogo entre as instituições e que o Ministério Público seja um meio de justiça para a população”, destacou Vinícius. O promotor de Justiça Daniel Cezar de Lima Veira, 28, vai assumir a comarca de Moreilândia, no Sertão. “Sou do Recife, mas vou com muita felicidade assumir essa promotoria. A cidade é muito pequena e humilde, portanto, os moradores precisam de muita atenção”, ponderou Daniel.
Defensoria Pública unida ao Ministério Público
O defensor público-geral Manoel Jerônimo realizou uma palestra para os promotores que concluíram o curso na sexta-feira. Com o tema “A necessidade de harmonia entre os entes que integram o sistema de Justiça”, Jerônimo falou sobre a união entre os representantes do Ministério Público de Pernambuco, do Poder Judiciário e da Defensoria Pública para a garantia dos direitos do cidadão. O defensor ressaltou ainda que os entes do sistema de Justiça precisam trabalhar em união. “O povo pernambucano precisa de um Ministério Público forte, assim como precisa de uma Defensoria Pública e do Poder Judiciário fortes. Por isso, todos têm que estar fortalecidos”, ressaltou Jerônimo.
O chefe da Defensoria Pública falou também que os promotores precisam ter atenção e cuidado no trato com as pessoas menos favorecidas, para que não sejam cometidas injustiças. “Os senhores e senhoras, assim como os defensores públicos e os juízes, são a última esperança daquele cidadão que já nasceu condenado pela própria vida, que são pobres e sofrem discriminação em razão da cor, da opção sexual ou da opção religiosa. Somos nós quem devemos tutelar e proteger os direitos dessas pessoas de forma justa”, ponderou o defensor público-geral, destacando ainda que os promotores devem ser cada vez mais unidos com os defensores e os juízes de suas comarcas.
“O trabalho tem que acontecer sem brigas, sem vaidades, sem orgulhos. Se assim não for, essa briga vai resvalar no nosso usuário, no nosso assistido, no cidadão. Vamos lutar pelo bem, quanto mais unidos a gente tiver, mais poder a gente vai ter para espantar a bandidagem que assola nosso país. Não podemos esquecer que somos servidores e que o cidadão é o nosso patrão. Nosso salário é pago através dos tributos que as pessoas pagam”, declarou Manoel Jerônimo. O defensor destacou ainda que o trabalho da Defensoria Pública de Pernambuco foi apontado como referência na América Latina pela Organização dos Estados Americanos (OEA). “Isso é fruto de um trabalho sem vaidade, sem orgulho”, completou.
PORTAL BOM JARDIM
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