sábado, 5 de agosto de 2017

Estupro: jovem denuncia religioso e é perseguida por fiéis em Pernambuco

Fonte:LeiaJá


Resultado de imagem para EstuproUma jovem que teria sido vítima de estupro por um integrante da Igreja Batista de Rio Doce, em Olinda, Região Metropolitana do Recife (RMR), esteve no Ministério Público de Pernambuco (MPPE) nesta sexta-feirea (4), para relatar o caso. Lésbica, ela conta que o acusado cometeu o crime alegando que seria "para ela começar a gostar de homem". 
O episódio aconteceu em 28 de dezembro de 2015, mas a vítima somente contou aos pais em março de 2016, quando soube que outra mulher havia sido vítima de abuso cometido pelo mesmo homem. Sobre esse caso, o MPPE recebeu os autos da Polícia Civil com indiciamento por estupro e fez a denúncia em setembro de 2016.
A garota, hoje com 20 anos, contou que o acusado foi até sua casa sob o pretexto de chamá-la de volta às atividades de culto da igreja. Ele dizia que havia comentários dela estar namorando outra mulher. Na ocasião, os dois estavam sozinhos em casa.
O homem teria pedido para ir ao banheiro. De lá, contou a jovem, ele teria saído nu e com pênis ereto, já usando um preservativo. Ele a arrastou para o quarto e a violentou alegando que o estupro seria "para ela começar a gostar do homem". A mulher resistiu, conseguindo evitar a penetração. 
"O acusado, durante o ato sexual cometido mediante violência, afirmou que estava fazendo aquilo para ver se a vítima deixava de gostar de meninas. Além disso, a ameaçou, ordenando que a mesma ficasse calada, já que ninguém acataria a versão dela sobre estupro. Ela disse que ficou, por meses, tomada por angústia e pânico, escondendo-se de todos, até que revelou a duas amigas que a incentivaram a buscar ajuda junto aos pais e polícia", destaca a promotora de Justiça Henriqueta de Belli. Segundo a promotora, desde então, a vítima e familiares passaram a sofrer constrangimentos e ameaçadas na comunidade e igreja, tendo o acusado enviado recados intimidatórios através de terceiros e parentes. 
A ação judicial tramita desde março de 2017 na 3ª Vara Criminal de Olinda. "A ideia da reunião foi informar e convocar a sociedade civil, por meio das ONGs que trabalham com violação de direitos humanos, femininos e LGBTI e pela imprensa, para dar ciência do julgamento do mérito, que deve ocorrer em breve. Além disso, a audiência do caso ocorrerá ainda este mês", pontuo de Belli.
No relato ao MPPE, a vítima chorou muito e se declarou perseguida pelos fiéis da igreja, que defendem o religioso. Ela já teria sido xingada em locais públicos e na escola. A jovem denunciu que o religioso teria tentado atropelá-la em uma ocasião. 
O acusado foi preso preventivamente no dia 17 de julho deste ano. Ele, entretanto, foi solto na última quarta-feira (2), por efeito de liminar.
PORTAL BOM JARDIM
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