segunda-feira, 10 de julho de 2017

Entenda as ventanias dos últimos dias e como um anticiclone vem atuando no Estado

Ventos fortes têm causado pequenos transtornos
Ventos fortes têm causado pequenos transtornosFoto: Alfeu Tavares/Arquivo Folha
Os ventos mais fortes do Estado estão soprando no Interior. Na sexta-feira (7), a velocidade recorde em 2017, de 57,2 km/h, foi registrada pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) em Ibimirim, no Sertão. Uma rajada capaz de fazer estragos em fachadas e derrubar árvores. Um risco. No Recife, o vento mais forte foi de 37 km/h, correspondente ao ar que carrega jornais pelas ruas e faz os guarda-chuvas virarem do avesso. Um incômodo.
Outras cidades no Interior registraram ventos fortes, mais rápidos que os do litoral. Caruaru, com 45,3 km/h, Arcoverde, com 41,7 km/h e Petrolina, no extremo do Estado, com 39,6 km/h. O fenômeno aconteceu um mês antes do que esperam os meteorologistas normalmente.
Segundo o chefe de previsão de tempo do Inmet, Ednaldo Araújo, os ventos são resultado de uma movimentação precoce de um anticiclone que gira no Oceano Atlântico Sul. É um sistema de ventos que giram no sentido contrário do ciclone mais conhecido, ou seja, no sentido anti-horário. “Na borda do anticiclone, os ventos correm mais rápido que no centro. Há poucos dias ele entrou no continente e a borda foi passando pelo Recife, causando os estragos. Agora que penetrou mais no Estado, a Capital está mais próxima do centro do anticiclone”, explicou. O anticiclone deve voltar à posição inicial e, com isso, sua borda deve novamente cruzar o Recife.
A primeira passagem pelo litoral não passou despercebida. Até porque, em grandes cidades, tende a ser potencializado. “Isso acontece porque grandes avenidas com prédios se tornam um caminho livre para os ventos e os terminam canalizando”, explicou o meteorologista da Agência Pernambucana do Clima (Apac) Fabiano Prestrelo. Os estragos não foram poucos. 
Sessenta e quatro árvores caíram entre segunda e quarta-feira, segundo a Autarquia de Limpeza e Manutenção Urbana do Recife (Emlurb). No Alto do Refúgio, Zona Norte da Capital, as intempéries chegaram a derrubar muro. “Só vimos no dia seguinte. Aqui sempre venta muito e previmos o problema. A gente dorme com muito medo por causa da ventania. Não sabe o que vai estar em pé no outro dia”, relatou o carregador Ilquias Araújo, 31.
No Bairro do Recife, estruturas de ferro caíram de um casarão. Pedaços de ferro desabaram sobre carros estacionados na rua Dona Maria César.
No seu percurso, o anticiclone acaba levando as nuvens carregadas do oceano em direção ao continente, causando chuvas frequentes, como as que os recifenses acompanharam durante a última semana. O fenômeno, segundo o chefe de meteorologia da Apac, Patrice Oliveira, é conhecido como Onda de Leste. 
Frio
O frio é consequência da soma entre dois fenômenos. Chuva e vento. “Com pouco sol incidindo nessa região, o esfriamento não foi limitado, como no ano passado”, explica Prestrelo. A umidade do ar e os ventos fazem a diferença na sensação térmica, levando as pessoas a perceberem o clima ainda como mais frio que o que marcado pelos termômetros.

FOLHA PE
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