sexta-feira, 23 de junho de 2017

Espaçador artesanal produzido no HC barateia tratamento da asma

Por TV Jornal
Reprodução/TV Jornal
Pesquisadores do Hospital das Clínicas (HC) atestam eficácia do espaçador artesanal no tratamento da asma. O estudo, feito com 63 pacientes, durante três meses, foi divulgado nesta terça-feira (21), no Dia Mundial de Controle da Asma, e comprovou que o equipamento feito com garrafa de água mineral pode substituir o espaçador vendido nas farmácias com preços que variam de R$ 70,00 a R$ 200,00.
A asma é uma doença que atinge 10% da população mundial. No Brasil, estima-se que 20 milhões de pessoas sofram com a enfermidade, que provoca o estreitamento dos brônquios e dificulta a passagem do oxigênio, podendo levar à morte. Damiana Bezerra, 38 anos, convive com a asma desde a infância. A rotina de consultas no ambulatório de pneumologia do HC se repete a cada três meses, e ela já passou por várias internações por causa da doença. Apesar da pouca idade, ela já é aposentada, porque até uma simples tarefa doméstica como varrer a casa é proibida para ela.
Seu Severino Alexandre da Silva tem 54 anos e viu a vida mudar quando foi diagnosticado com asma, há pouco mais de dois anos. Agora, ele está afastado do trabalho no corte da cana, atividade apontada como possível causa da doença. “A poeira e a fumaça do corte da cana é que fizeram isso comigo. É muito triste. Não consigo mais trabalhar. Passo o dia em casa. A médica já disse que no meu caso, nem remédio resolve. Só ajuda a controlar. Eu durmo bem. Mas basta sair da cama que começa a tosse”, relata.
No caso das gestantes, a dificuldade para respirar pode interferir no desenvolvimento dos bebês, que podem nascer com baixo peso ou antes do tempo, quando não ocorrem abortos. Para tratar essas mulheres, o HC tem um ambulatório específico, o único no Brasil. Lá, as grávidas são acompanhadas por obstetras treinados por pneumologistas para cuidar da doença. “Nas situações mais graves, nossa equipe de pneumologistas é acionada”, explica o chefe do serviço de pneumologia do Hospital, José Ângelo Rizzo.
Cristiane Maria de Souza passou por duas gestações de risco por causa da asma, e mesmo sendo acompanhado no ambulatório, o pequeno Vinícius, agora com 5 meses, nasceu antes do tempo. “Foi uma luta chegar aos oito meses. No final, minhas consultas era muito mais frequentes por causa da asma. Felizmente, deu tudo certo”, contou.
De acordo com Rizzo, o tratamento mais comum e mais barato é feito com as populares bombinhas. O problema é que nem todo mundo sabe usar corretamente. A solução nesses casos é utilizar os espaçadores. “Muitas pessoas têm dificuldade na sincronização entre a respiração e a aspiração dos broncodilatadores. Quando lembramos que as bombinhas são distribuídas gratuitamente no sistema público de saúde, fica ainda mais importante saber que os espaçadores artesanais produzidos praticamente sem custos são tão eficazes quanto os outros”, avalia o médico.

PORTAL BOM JARDIM
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