segunda-feira, 1 de maio de 2017

Pernambucana chega aos 112 anos e conta os segredos da longevidade

Por TV Jornal

Reprodução/TV Jornal
Moradora do bairro dos Coelhos, na área central do Recife, dona Severina Lourenço da Silva guarda uma dádiva desejada por muita gente: a vida longa. Ela nasceu em 15 de janeiro de 1905, em Carpina, na Zona da Mata Norte do estado, e completou 112 anos neste ano de 2017. Ao longo de mais de um século de vida, a idosa tem muitas histórias pra contar - de quem já presenciou duas guerras mundiais, sobreviveu à ditadura militar e viu os costumes mudarem muito ao longo do tempo.
Para os que duvidam da idade, ela sempre anda com uma cópia da identidade, que é mostrada imediatamente quando as pessoas contestam: "112 anos mesmo?". Dona Severina nasceu de uma família simples e humilde. O pai dela morreu muito cedo. "Não lembro a idade que ele morreu, nem quantos anos eu tinha, mas ele bebia muito e vivia na farra", disse a idosa, que contou ainda que sofreu muito com a morte da mãe, em um parto, em decorrência de doenças venéreas. Além de perder os pais muito cedo, dona Severina também assistiu à morte do marido, o alfaiate Antônio Severino, aos 66 anos, vítima de doenças venéreas também. Ela não soube precisar qual doença especificamente - ou não quis dizer.
A idosa, de semblante sempre animado, tem uma família grande. São três filhas (o quarto filho morreu em janeiro por causa de uma queda), 21 netos e mais de 50 bisnetos (a própria família perdeu as contas). As filhas dela também esbanjam saúde: Edite Severina, tem 76 anos; Elza Severina, 74; e Edna Severina, 72 anos. Todos os parentes sempre estão sempre perto dela, curtindo a energia da fonte Severina. "Ela é muito esperta! Vive bem e nos impressiona. Fico muito feliz de ainda poder ter minha mãe", disse dona Edite, a mais velha entre as três filhas.
Dona Severina começou a trabalhar como agricultora, num sítio na zona rural de Carpina. Era onde tinha uma vida extremamente saudável. "Comia feijão, fava, jerimum, maxixe, quiabo...", contou como se lembrasse dos sabores que sentia. É uma das razões que ela acredita ter dado a vida longa. "Comia tudo coisa boa. Não tinha nada gelado. Hoje a gente come tudo descongelado", lembrou.
Em 1938, a então agricultora decidiu morar no Recife. Ela disse que ficou sem família (por conta da morte dos pais) e a capital era promessa de emprego e mudança de vida. Foi quando passou a morar nos bairro dos Coelhos. Para cuidar dos filhos trabalhava como lavadeira e vendia água potável. "Eu só lavava terno. Aqueles terno de linho. Colocava na goma, chega ficava lustrando", comentou. O que mais chama a atenção nessa pernambucana de Carpina é a lucidez. Embora tenha 112 anos, não para de conversar. Entende tudo que perguntamos. Às vezes, pedia pra repetir, resultado da audição um pouco prejudicada.
Outro segredo que dona Severina não falou, mas que nossa equipe de reportagem viu, é a vontade de se remexer. A idosa faz exercícios ao menos três vezes por semana, na Academia das Cidades, no parque 13 de maio, e adora dançar. Vez por outra tá se remexendo toda! E gosta de jogar dominó e dar "buchuda no povo" - que é quando se ganha sem que o adversário marque ponto. Depois que perdeu o marido, não quis mais ter namorados, mas não perdeu o senso de humor e brinca quando vê um rapaz bonito dizendo: "Ahhh, meus 15 anos...". Sobre quantos ainda quer viver, dona Severina é modesta. Não arrisca. Os parentes é que cochicham "120 anos" e ela sorri.
Reprodução/TV Jornal
Problemas de saúde não afetam a idosa. Segundo os parentes, ela nunca teve doenças graves. Quando estava na década dos 60 anos, precisou fazer uma cirurgia para retirada de uma hérnia e nada mais. Nesta semana, durante uma ação que lembrava o Dia Nacional de Prevenção e Combate à Hipertensão, na quarta-feira (26), foi que veio um alerta. Ao aferir a pressão, os médicos disseram que ela precisava investigar melhor. Deu 18/6 (dezoito por seis). "Vamos ver o que é isso", disse a neta da idosa, a faturista Edinete Maria de Santana, 51.
Perguntada sobre quais são as dicas para uma vida longa, ela respondeu: "que não seja estragado. Que não faça extravagância. Se alimente direito. Durma na hora certa. Tudo isso eu fiz na minha vida", recomendou.
A impressão de nossa equipe de reportagem é unânime: os segredos de dona Severina são vontade para viver, alegria no coração, perdão aos que nem sempre fizeram o bem, e, claro, alimentação saudável e muita sorte.

PORTAL BOM JARDIM
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