domingo, 21 de maio de 2017

Paulo Câmara, Geraldo Julio e FBC receberam propina, diz delator da JBS

Por TV Jornal/ Com informações do JC Online

Guga Matos/ JC Imagem
A Operação Lava Jato ganhou mais um novo capitulo. Em delação premiada, o diretor da JBS, Ricardo Saud afirmou que negociou o pagamento de propina na campanha de 2014 com o governador de Pernambuco, Paulo Câmara e com o prefeito do Recife, Geraldo Julio, ambos do PSB. Ainda em depoimento, o delator disse que acertou de pagar cerca de R$ 15 milhões para a campanha presidencial do ex-governador Eduardo Campos, falecido em agosto de 2014. A delação também envolve o senador Fernando Bezerra Coelho (PSB) e o ministro das cidades, Bruno Araújo (PSDB).
"Exatamente no dia que ele faleceu, eu estava com o Henrique que era a pessoa dele que ele mandava... Ou o Henrique, ou o Paulo Câmara ou o Geraldo Julio para ir lá tratar da propina", afirma Saud no depoimento à força-tarefa da lava-jato. Após a morte de Eduardo Campos, Saud explica que foi procurado por Geraldo Julio pedindo para que fosse honrado o pagamento do financiamento em caixa 2 de campanha, que havia sido negociado com Eduardo. O objetivo era usar o dinheiro para ajudar na eleição de Paulo Câmara pelo governo de Pernambuco. "Nós chegamos ao meio termo que íamos pagar para não atrapalhar a campanha do Paulo Câmara. E ainda darmos uma propina para o Paulo Câmara em dinheiro vivo lá em Pernambuco", afirma o delator.

FBC e Bruno Araújo

Segundo o delator da JBS, o senador Fernando Bezerra Coelho também se favoreceu do acordo. Ele indicou uma empresa de publicidade, que teria recebido R$ 1 milhão em 02 de setembro de 2014. "O Fernando Bezerra foi beneficiado. Essa nota fiscal aqui de R$ 1 milhão foi para ele", afirma Saud.
Já o ministro das cidades, Bruno Araújo (PSDB) teria recebido o valor de R$ 200 mil para a campanha de 2014, em que se elegeu deputado federal. Saud informou em delação que o dinheiro foi entregue em espécie, na capital pernambucana.
As informações vieram à tona com a divulgação pela Justiça dos vídeos das delações, que atingiram fortemente o presidente Michel Temer (PMDB) e agora chegam a nomes do comando político pernambucano.

Respostas

O governador Paulo Câmara (PSB) está em Brasília, onde foi participar da reunião nacional do partido, convocada às pressas, para tratar da crise instaurada após as delações. Lá, ele foi procurado pela reportagem do SBT, mas não quis dar entrevistas. O governador emitiu uma nota, ainda na noite desta sexta-feira (19), em que repudiou a denúncia. Fernando Bezerra Coelho e Geraldo Julio também enviaram notas. Já o ministro das cidades, Bruno Araújo (PSDB) não respondeu às denúncias. Confira os textos na íntegra:
Nota do prefeito Geraldo Julio (PSB)
Diante da menção ao seu nome por um dos delatores da JBS, divulgada hoje pela imprensa, o Prefeito Geraldo Julio repudia veementemente as acusações e esclarece que nunca tratou de recursos ilegais com essa empresa ou com qualquer outra. O próprio documento divulgado pela justiça registra que as doações feitas a campanha nacional do PSB não foram por troca de favores. Todas as doações recebidas pelo partido foram legais.
Nota do senador Fernando Bezerra Coelho (PSB)
A defesa do senador, representada pelo advogado André Luiz Callegari, afirma que todas as doações para a campanha de Fernando Bezerra Coelho ao Senado foram devidamente declaradas e aprovadas pela Justiça Eleitoral. A defesa do parlamentar, que não teve acessos aos referidos autos, repudia as declarações unilaterais divulgadas e ratifica que elas não correspondem à verdade.
Nota do governador Paulo Câmara (PSB)
Venho repudiar, veementemente, a exploração política do depoimento do delator Ricardo Saud, que já antecipo não corresponde à verdade. Não recebi doação da JBS de nenhuma forma. Nunca solicitei e nem recebi recursos de qualquer empresa em troca de favores. Tenho uma vida dedicada ao serviço público. Sou um homem de classe média, que vivo do meu salário.
Como comprovará quem se der ao trabalho de ler o documento que sintetiza a delação, o próprio delator afirma (no anexo 36, folhas 72 e 73) que nas doações feitas ao PSB Nacional "não houve negociação nem promessa de ato de ofício", o que significa que jamais houve qualquer compromisso de troca de favores ou benefícios. Desta forma, é completamente descabido o uso de expressões como "propina" ou “pagamento”.
Reafirmo a Pernambuco e ao Brasil que todas as doações para a minha campanha foram feitas na forma da lei, registradas e aprovadas pela Justiça Eleitoral.

PORTAL BOM JARDIM
PORTAL BOM JARDIM

Nenhum comentário:

Postar um comentário