sábado, 27 de maio de 2017

"Foi um erro grosseiro", diz advogado de suspeito de matar professor Betinho


Jorge Wellington, advogado de defesa de Ademário Gomes da Silva Dantas, suspeito do assassinato de Betinho, pedagogo do colégio Agnes, no Recife
Jorge Wellington, advogado de defesa de Ademário Gomes da Silva Dantas, suspeito do assassinato de Betinho, pedagogo do colégio Agnes, no RecifeFoto: Rafael Furtado/ Folha de Pernambuco
Durante a audiência de instrução e julgamento sobre o assassinato do professor José Bernadino da Silva Filho, o Betinho do Agnes, o advogado Jorge Wellington Lima de Matos, que defende o réu, garantiu que Ademário Gomes da Silva Dantas, de 21 anos, acusado pelo crime, é inocente. "Foi um erro grosseiro dos peritos papiloscopistas. Ele é inocente e estamos conseguindo provar isso", comentou o defensor. Na ocasião, foi apresentada a conclusão de uma nova perícia feita pela Polícia Federal (PF), a pedido da Justiça, que teve um resultado diferente do apontado pelos peritos papiloscopistas do Instituto de Identificação Tavares Buril (IITB).
A audiência acontece na tarde desta sexta-feira (26), no Fórum Desembargador Rodolfo Aureliano, na Joana Bezerra, na área Central do Recife. A impressão digital encontrada em uma cômoda do apartamento de Betinho, no Edifício Módulo, na avenida Conde da Boa Vista, não seria de Ademário. Segundo o laudo assinado por dois papiloscopistas da Polícia Federal, as impressões seriam do próprio Betinho. “O fragmento papilar questionado não apresenta características morfológicas nem pontos característicos constitutivos do desenho digital coincidentes quanto à forma, direção e sentido de suas linhas papilares com as impressões digitais postas no Prontuário Civil (...) em nome de Ademário Gomes da Silva Dantas”, diz o documento. Mais adiante, continua: “o fragmento de impressão papilar questionado apresenta morfologia e pontos característicos constitutivos do desenho digital coincidentes quanto à forma, direção e sentido de suas linhas papilares com a impressão digital do dedo polegar direto aposta no prontuário em nome de José Bernardino da Silva Filho”.
Por supostamente ser distinto das conclusões dos peritos papiloscopistas do IITB, que colocavam Ademário Gomes na cena do crime, o novo conteúdo deve beneficiar o jovem. "Não existe prova concreta. Ele não pode ser julgado em júri popular porque ele é inocente", comentou o advogado do réu. Além de Ademário, foi indiciado, pelo delegado Alfredo Jorge, outro aluno do colégio particular que teve digitais encontradas no ferro de passar usado para desferir golpes na cabeça da vítima. Como ele tinha 17 anos na época, o processo que o inclui é outro e não será alvo da sessão das próximas horas.
No entanto, a advogada do rapaz, que acompanha a audiência de Ademário, disse que eles não tinham contato com o professor. "Nenhum dos dois tinha contato com o professor. O único contato deles era na escola. Não existia grau de intimidade entre eles", comentou Roselayne de Souza. Na audiência, serão ouvidas como testemunhas a delegada Alcilene Marques e o perito do Instituto de Criminalística Tadeu Cruz.

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