segunda-feira, 8 de maio de 2017

Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, é a nova fronteira do roubo de cargas no Rio

Neste momento, em um ponto do Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo, Região Metropolitana do Rio, um caminhão aguarda por um improvável resgate. Há 51 dias, desde que o motorista da transportadora foi alvo de criminosos, o rastreador indica a localização exata do veículo. Porém, o forte poderio bélico dos traficantes locais, aliado à geografia do conjunto de favelas, torna quase impossível uma incursão policial que não envolva um enorme aparato — não por acaso, a região transformou-se, desde o fim de 2016, num dos principais redutos de assaltantes de carga do estado.
O roubo aconteceu no dia 18 de março, na Rodovia Rio-Manilha (BR-101), que margeia o complexo e é patrulhada por homens da Polícia Rodoviária Federal (PRF). O fácil escoamento das cargas da estrada para o interior da comunidade também facilita a ação dos bandidos.

Ao contrário do que ocorre em outras comunidades, são os próprios traficantes que saem ao asfalto para praticar os crimes. Eles agem a mando de Thomaz Jhayson Vieira Gomes, de 23 anos, o 2N, responsável pela venda de drogas no Salgueiro desde junho e membro da mesma facção que atua no Chapadão. De janeiro a março, foram registrados na 72ª DP (Mutuá), responsável pela área, 90 roubos de caminhões, uma média de um assalto por dia.
— É o 2N quem comanda tudo. E foi na gestão dele que houve este incremento (nos roubos de carga) — explica o delegado Flávio Narcizo, titular da 72ª DP.
Produtos têm até tabela de preços
De tão grande a oferta de cargas roubadas pelos bandidos do Salgueiro, alguns receptadores criaram até mesmo, segundo a polícia, tabelas que definem o preço de revenda dos itens. Os agentes já encontraram, por exemplo, uma caixa de cerveja, com 24 garrafas de 600ml, sendo comercializada a R$ 20 — valor pelo menos quatro vezes menor do que o praticado em grande depósitos de bebida (em supermercados, o custo chega a ser de quase R$ 150).
Além das bebidas, os produtos mais visados pelos assaltantes da região são os gêneros alimentícios e os cigarros. A carga costuma ser redistribuída sem a participação de atravessadores ou intermediários, tal qual no Chapadão ou na Pedreira.
— Os itens roubados são vendidos em pequenos comércios — diz o delegado Flávio Narcizo.
A atuação dos bandidos em São Gonçalo chamou a atenção também da Delegacia de Roubos e Furtos de Cargas (DRFC), unidade que investiga as grandes quadrilhas do ramo no estado.
— Hoje, Chapadão, Pedreira e Salgueiro são nossos pontos prioritários de atuação — confirma o delegado Maurício Mendonça, titular da especializada.
Baixada no topo da lista
Duas delegacias da Baixada registraram os maiores números de ocorrências
Duas delegacias da Baixada registraram os maiores números de ocorrências Foto: Fabiano Rocha / Agência O Globo
Embora a região não abrigue as principais quadrilhas de assaltantes, ficam na Baixada Fluminense as duas delegacias que mais registraram roubos de carga no ano passado. Ambas, porém, estão em áreas próximas aos complexos do Chapadão e da Pedreira: a 59ª DP (Caxias) e a 64ª DP (São João de Meriti).
Em Duque de Caxias, um homem que saiu da cadeia para cumprir prisão domiciliar e nunca mais se apresentou à Justiça é responsável por engrossar essa estatística. Reconhecido em 31 inquéritos instaurados pela delegada Raíssa Celles, da 59ª DP, para apurar roubos de carga, Jefferson de Almeida Silva,de 28 anos, deixou o sistema carcerário pela porta da frente em 2 de junho de 2016. Exatamente um mês depois, ele protagonizou, segundo as investigações, o roubo de uma carga de perfumes avaliada em mais de R$ 6 mil. Denunciado oito vezes por promotores da 3ª Central de Inquéritos de Caxias, e réu no mesmo número de processos, Jefferson é considerado foragido.
Já em São João de Meriti, o delegado Moysés Santanna Gomes, da 64ª DP, identificou três quadrilhas que atuam no município. Os assaltantes dividem os lucros com traficantes do Chapadão, onde escoam as cargas roubadas. Um dos bandidos que teve a prisão decretada é Jonas Silva da Mata, o Descontrolado.
— Ele gerencia uma parte do Chapadão e é o principal responsável pelos assaltos daqui. É o Jonas que autoriza os roubos na Bacia do Éden, na Vila Norma, na Favela da Linha... Para isso, cobra um percentual, um tipo de pedágio dos comparsas — detalha o delegado.

 http://extra.globo.com/casos-de-policia/complexo-do-salgueiro-em-sao-goncalo-a-nova-fronteira-do-roubo-de-cargas-no-rio-21304675.html
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