sábado, 13 de maio de 2017

Antonio Candido morre em São Paulo aos 98 anos

Antonio Candido
Antonio CandidoFoto: Marcos Santos/USP/Divulgação
O escritor, crítico literário e sociólogo, Antonio Candido, morreu à 1h40 da madrugada desta sexta (12), em São Paulo, aos 98 anos, e seu corpo está sendo velado no Hospital Albert Einstein, em cerimônia que prossegue até as 17h. O hospital não informou a causa da morte.
Nascido no Rio de Janeiro, em 24 de julho de 1918, o intelectual era professor emérito da Faculdade de Filosofia e Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da Universidade de São Paulo (USP) e ganhou vários prêmios importantes da literatura como o Prêmio Jabuti, em duas edições, de 1965 e de 1993; também o prêmio Juca Pato, em 2007; o Prêmio Machado de Assis, em 1993, e o Prêmio Internacional Alfonso Reyes.
Entre as suas obras estão a Formação da Literatura Brasileira: momentos decisivos, 1959; O observador literário, 1959; Tese e antítese: ensaios, 1964; Os parceiros do Rio Bonito: estudo sobre o caipira paulista e a transformação dos seus meios de vida, 1964; Literatura e sociedade: estudos de teoria e história literária, 1965; O estudo analítico do poema, 1987; O discurso e a cidade, 1993; Vários escritos, 1970 e Formação da literatura brasileira, 1975.
Antonio Candido deixa as filhas Laura de Mello e Souza e Marina de Mello e Souza.
"Coerência entre pensamento e a prática que se perdeu muito no mundo contemporâneo. Acho que é o momento de pensar que já tivemos gente muito boa nesse país, que trabalhou para construir um país democrático, de pensamento igualitário", afirmou Marina de Mello e Souza sobre a morte do seu pai Antonio Candido, nesta sexta-feira (12).
"Onde as pessoas fossem íntegras e generosas, que pensassem no bem comum, ele era uma pessoa que pensava no bem comum acima de tudo, e nesse momento em que a gente vive não só no país como no mundo uma situação de extremo retrocesso e de valores e bens que são muito diferentes do humanismo, ele era um humanista acima de tudo, é importante lembrar que teve gente que dedicou a carreira e o trabalho para construir uma sociedade e mundo melhor", completou Marina.
Amigos e colegas de profissão lamentam a sua morte, leia:
O ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva, em seu site oficial, prestou homenagem ao crítico literário e afirmou que tem orgulho de ter convivido com ele.
"O Brasil perdeu hoje mais do que um dos maiores intelectuais da nossa história. Perdemos um ser-humano excepcional, que dedicou sua vida à cultura, à democracia e à justiça social. E o fez com excelência em todos os campos. Foi um corajoso adversário de qualquer tipo de autoritarismo e já nos anos 40 fundou a União Democrática Socialista. Lutou contra a ditadura militar e durante toda sua vida se manteve fiel aos ideais da esquerda democrática. Não foi apenas fundador do PT, foi militante cotidiano do partido, um petista sempre presente no bom combate em defesa do desenvolvimento nacional. Participou da elaboração de programas de governo, viajou o país e teve uma importantíssima atuação a favor da transformação social e do direito dos trabalhadores", escreveu.
"Morreu um grande mestre. Morreu o mestre do Brasil", lamentou a escritora e membro da Academia Brasileira de Letras, Nélida Piñon.
Crítica literária e professora, Flora Sussekind afirmou à reportagem que "é do Candido que vem toda a crítica moderna brasileira. Sempre escrevi olhando para ele, tenho a impressão que tudo que tenho tentado fazer até hoje tem sido em diálogo com o trabalho dele. Num momento em que a dimensão historiográfica estava meio posta de lado, foi o estudo da obra do Candido que me parece ter conduzido não só a mim mas a outros críticos da minha geração nessa direção -lembro de muitas discussões com o Roberto Ventura, por exemplo, sobre a 'Formação da Literatura Brasileira'."
Ainda de acordo com Sussekind, "o que, para mim é fundamental, a trajetória intelectual do Candido -a firmeza, a coragem e a dignidade com que ele nunca deixou de tomar posição diante da circunstância histórica."
Leyla Perrone Moysés, professora e escritora, afirmou que o crítico literário era um exemplo de civilidade e "sobraram poucos como ele". "Antonio Candido foi e continua sendo um modelo para todos nós, pela sua vasta cultura, pela sua sensibilidade estética e por sua postura ética. É uma grande perda para a cultura brasileira. O contato com a obra e com a pessoa sempre foi enriquecedor."
Para o escritor José Arthur Giannotti, o crítico literário é uma das figuras que marcou "a nossa geração". "Ele deu toda uma visão geral do que é a cultura brasileira. A obra dele é basicamente ter pensado a literatura brasileira como um todo que se organiza em torna de determinados personagens maravilhosos, como Machado de Assis. Tenho enorme admiração, aprendemos muito juntos, apesar das divergências políticas. Tenho opiniões políticas muito mais, digamos, conservadoras. Ele continuou fiel à esquerda populista."
Artista plástico e escritor, Nuno Ramos contou que seu pai Vitor Ramos, professor da USP, era um grande amigo de Antonio Candido e "morreu de um AVC súbito enquanto conversava com o Candido pelo telefone. Eu tinha 14 anos quando isso aconteceu e cresci sob essa admiração."
"Sempre achei impressionante que o Candido escrevia muito do ponto de vista da memória. Memória no sentido de fazer justiça ao tempo. Ele era uma espécie de justiceiro da cultura. Alguém que buscava fazer justiça a nomes esquecidos. Cansei de ouvir o Candido lembrar de uma obra que ninguém mais se recordava, de um intelectual esquecido. Morreu um homem admirável, sem dúvida", afirmou o escritor.
Em comunicado, o presidente da Câmara Brasileira do Livro, Luis Antonio Torelli afirmou que "Antonio Candido foi pai de grandes obras que refletiam e discutiam a cultura e literatura brasileira, como Método crítico de Silvio Romero, Formação da literatura brasileira e Literatura e sociedade. Que seu conhecimento e produção intelectual continuem desenvolvendo críticos literários como ele".
O ex-ministro da Educação, Aloizio Mercadante, disse em nota que recebe com profunda tristeza a informação sobre a morte de Antonio Candido. "Além de ter uma presença marcante na crítica literária, Antonio Candido é um dos fundadores do PT e sempre esteve ao lado da democracia e das lutas populares. Sua memória sempre estará presente em nossas lutas e sonhos. Neste momento de dor, deixo minha homenagem e solidariedade aos familiares e amigos."
De acordo com a ex-prefeita Erundina e deputada federal, o crítico literário morreu lúcido, "falando das coisas, pensando no país, pra nós sempre será uma inspiração." "Nos éramos muito amigos, nos momentos críticos, polêmicos e de grandes decisões a gente sempre recorria a ele para conselhos. Ele era um companheiro, nos formou politicamente. Vai ser sempre um grande companheiro, sonhamos juntos e acreditamos nas mesmas coisas juntos, ele foi um grande pensador brasileiro".
A senadora Marta Suplicy lamentou no Twitter a morte do crítico literário. "Hoje, perdemos Antonio Candido, aos 98 anos. Emérito Professor da USP e um dos maiores críticos literários do país", escreveu.
O vereador Eduardo Suplicy também lamentou a morte do Antonio Candido e postou uma carta escrita pelo crítico em seu Facebook. "Me solidarizo com familiares e amigos e o homenageio com uma das suas mais belas reflexões: "Uma sociedade ideal seria assegurar não só os meios materiais de vida, mas assegurar o acesso a todos os níveis de literatura", escreveu Suplicy.
Na carta escrita pelo crítico literário em 2015, ele lamenta que, na época, o atual vereador não foi reconduzido ao Senado e afirma que o vereador foi "por tanto tempo um exemplo pouco frequente de dedicação firme e serna aos verdadeiros interesses populares."
O crítico literário Antonio Candido foi, pela via da literatura, um importante "intérprete do Brasil". Sua "Formação da Literatura Brasileira" (1959) -que a partir do estudo do arcadismo e do romantismo analisa a formação do "sistema literário brasileiro"- é ainda hoje obra obrigatória para qualquer um que se disponha a estudar as letras nacionais.
Mas Candido foi autor de diversos outros ensaios que se tornaram incontornáveis para o entendimento das obras sobre as quais se debruçam. Alguns desses textos estão reunidos em "O Discurso e a Cidade" (Duas Cidades, 1993).
Está neste livro, por exemplo, o seminal "Dialética da Malandragem", que faz uma genealogia dos estudos acerca de "Memórias de um Sargento de Milícias" (1854) e cunha uma leitura nova para o romance de Manuel Antônio de Almeida (1831-1861). Ali está também sua interpretação de "O Cortiço", de Aluísio de Azevedo (1857-1913), "De Cortiço a Cortiço". Ambos os textos estão reunidos na seção que dá título ao livro.
Na segunda parte estão reunidas "Quatro Esperas" -a terceira delas se dedica ao romance "O Deserto dos Tártaros". Entre autores estrangeiros, Candido era um conhecido leitor de Proust, mas disse certa vez a esta jornalista que o livro ao qual sempre voltava -"todos os anos", frisou- era esse, do italiano Dino Buzzati (1906-1972), que fala de uma angustiante expectativa.
Por fim, a terceira seção do livro, "Fora do Esquadro", traz "O Poeta Itinerante", um belo ensaio todo construído a partir de um só poema de Mário de Andrade (1893-1945), "Louvação da Tarde"

http://www.folhape.com.br/diversao/diversao/geral/2017/05/12/NWS,27318,71,480,DIVERSAO,2330-ANTONIO-CANDIDO-MORRE-SAO-PAULO-AOS-ANOS.aspx
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