quarta-feira, 5 de abril de 2017

Todas as barragens do Grande Recife em situação de alerta

Barragem de Botafogo está com apenas 11% de sua capacidade / Divulgação/Compesa
Barragem de Botafogo está com apenas 11% de sua capacidade
Divulgação/Compesa
Cidades

Todas as barragens que abastecem o Grande Recife estão em estado de alerta, por conta da falta de chuvas. Se a situação se agravar, outros municípios da região podem enfrentar um aumento do racionamento, como aconteceu com Olinda, Paulista, Abreu e Lima e Igarassu, onde 900 mil pessoas eram abastecidas a cada três dias e passaram a contar com água a cada cinco dias, desde esta terça.


Segundo a Companhia Pernambucana de Saneamento (Compesa), a falta de chuvas deixou a Barragem de Botafogo, que abastece 50% da região Norte, em pré-colapso, com apenas 11,27% de seu volume, o pior resultado nos últimos dez anos, por isso a necessidade de redução da oferta.
“São seis anos de seca e a previsão da Apac (Agência Pernambucana de Água e Clima) é que a quadra chuvosa (abril/julho) terá índices abaixo da média, então temos de nos ajustar à realidade”, explica o diretor de tecnologia e de engenharia da Compesa, Rômulo Aurélio Souza. “E os outros mananciais que abastecem o Grande Recife estão em estado de alerta. Se chegarem a uma situação crítica podemos aumentar o racionamento em outros pontos a qualquer momento”.
De acordo com o diretor, se chover a situação do Sistema Botafogo pode melhorar rapidamente, uma vez que ele conta com captações à fio d'água nos rios Arataca, Monjope, Cumbe, Tabatinga e Conga. Enquanto isso não acontecer, serão captados apenas 200 litros por segundo da barragem, quando o normal seriam 700 litros. “Nesse modelo, não há como ela entrar em colapso”, assegura.
Uma outra alternativa para melhorar a captação e reduzir o racionamento é fazer uma transposição do Rio Capibaribe para a barragem, por meio da construção de uma adutora de 7,6 quilômetros, o que permitiria uma vazão de 460 a 1,2 mil litros por segundo.


Hoje, a diretoria do órgão tem reunião no Ministério da Integração para tentar viabilizar os R$ 30 milhões necessários para execução da obra, citada como prioritária pelo governador Paulo Câmara em fevereiro de 2015, para enfrentar a crise hídrica do Estado, mas até hoje sem recursos. “O trabalho pode ser executado em seis meses, se houver verba. Com a transposição, a barragem não dependeria apenas da água da chuva”, destaca Rômulo.
Os municípios de Olinda, Paulista, Abreu e Lima e Igarassu já convivem com o racionamento há cerca de dez anos, segundo a Compesa. Itapissuma e Itamaracá não entram no esquema porque são abastecidos por 140 poços perfurados pelo órgão em 1999. E Olinda, apesar de estar passando por uma grande obra para melhoria da distribuição de água, só terá os resultados esperados se chover. O novo calendário de abastecimento já está no site www.servicos.compesa.com.br.

DECRETO

Nesta terça, o governo também publicou no Diário Oficial decreto de situação de emergência em 56 municípios do Sertão, por 180 dias, diante da falta de água, das perdas na agropecuária e da precariedade da população. “O decreto é importante para executar obras de forma emergencial”, salienta Rômulo. “No Agreste e Sertão temos 37 municípios em colapso e 37 em pré-colapso”.
O decreto abrange os municípios de Afogados da Ingazeira, Afrânio, Araripina, Arcoverde, Belém do São Francisco, Betânia, Bodocó, Brejinho, Cabrobó, Calumbi, Carnaíba, Carnaubeira da Penha, Cedro, Custódia, Dormentes, Exu, Flores, Manari, Moreilândia, Mirandiba, Orocó, Ouricuri, Parnamirim, Petrolândia, Petrolina, Quixaba, Salgueiro, Santa Cruz, Santa Cruz da Baixa Verde, Santa Filomena, Santa Maria da Boa Vista, Santa Terezinha, São José do Belmonte, São José do Egito, Floresta, Granito, Ibimirim, Iguaracy, Inajá, Ingazeira, Ipubi, Itacuruba, Itapetim, Jatobá, Lagoa Grande Serra Talhada, Serrita, Sertânia, Solidão, Tabira, Tacaratu, Terra Nova, Trindade, Triunfo, Tuparetama e Verdejante.
PORTAL BOM JARDIM
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