sexta-feira, 14 de abril de 2017

ONU: Conselho de Segurança encerra missão de paz no Haiti

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HECTOR RETAMAL (Arquivo) Foto tirada em 5 de fevereiro de 2016 mostra os soldados da Missão das Nações Unidas de Apoio à Justiça no Haiti (MINUJUSTH), em Porto Príncipe HECTOR RETAMAL
O Conselho de Segurança da ONU concordou nesta quinta-feira (13) em colocar fim a sua missão de paz no Haiti após 13 anos de trabalho e substitui-la por uma força de caráter unicamente policial.
De acordo com a resolução do Conselho, adotada por unanimidade, o fim da missão, conhecida por suas siglas Minustah, será no dia 15 de outubro. O Conselho também concordou que 2.370 soldados que atualmente servem na Minustah comecem a se retirar do país nos próximos seis meses.
A Minustah, que conta com capacetes azuis brasileiros, será substituída pela Missão das Nações Unidas de Apoio à Justiça no Haiti (MINUJUSTH), que terá sete unidades de aproximadamente 980 agentes e 295 oficiais. A nova força policial também será substituída após um prazo de dois anos enquanto uma instituição policial haitiana se constitui.
A Minustah havia sido implementada em 2004 após a deposição do presidente Jean-Bertrand Aristide para tentar controlar um ambiente marcado pela violência, mas nunca foi realmente aceita pelos haitianos. Em 2010, uma epidemia de cólera arrasou o país e provocou a morte de cerca de 9.000 haitianos, sendo que aparentemente a bactéria foi introduzida no país por soldados nepaleses que participavam da Minustah.
Com um custo anual de cerca de 346 milhões de dólares, a Minustah não está incluída entre as operações mais caras da ONU, mas seu encerramento coloca em evidência uma mudança em favor de operações menores. O embaixador do Reino Unido na ONU, Matthew Rycroft, disse que esperava mais cortes e o encerramento de operações de manutenção da paz.
- Operações muito caras -
"As iniciativas de manutenção da paz fazem um trabalho fantástico, mas são muito caras e deveriam ser usadas somente quando necessárias. De forma que apoiamos o encerramento desta missão e sua mudança para algo diferente, e veremos o mesmo em outros lugares", disse Rycroft à imprensa antes da reunião na qual a decisão foi tomada.
Por sua vez, a embaixadora dos Estados Unidos, Nikki Haley, lançou uma ampla revisão das operações de manutenção da paz para encontrar maneiras de reduzir custos e melhorar as iniciativas, que frequentemente são envolvidas em denúncias de corrupção e abuso sexual.
Haley, no entanto, colocou seu dedo em uma ferida aberta, ao pedir o fim dos casos de abuso sexual envolvendo tropas de manutenção de paz, como ocorreu recentemente no Haiti.
Na reunião, a embaixadora americana se referiu a informações da imprensa sobre casos de abusos contra meninos e meninas, que supostamente eram atraídos por soldados do Sri Lanka com doces e biscoitos. "As crianças eram passadas de um soldado a outro. Um menino foi estuprado em 2011 por soldados da força de manutenção de paz e o ato filmado com um telefone celular. O que dizemos a essas crianças? Estes soldados das forças de paz as mantiveram seguras?", questionou.
Outras missões de paz da ONU na República Democrática do Congo e no Sudão do Sul foram envolvidas em escândalos por diversas denúncias de abuso sexual.
Em março, o Conselho de Segurança já havia reduzido a missão de paz na República Democrática do Congo, diminuindo o contingente de 19.815 homens em armas a 16.215.
Também deverão ser reduzidas ou encerradas missões em Libéria e Costa do Marfim, assim como a missão na região de Darfur, no Sudão, que é realizada em conjunto com a União Africana.
PORTAL BOM JARDIM
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