terça-feira, 11 de abril de 2017

Cremepe abre sindicância para apurar morte de professora após dar à luz

Deborah morreu no sábado (8) pela manhã, de infecção generalizada. Quatro dias antes, tinha dado à luz o terceiro filho / Foto: Reprodução
Deborah morreu no sábado (8) pela manhã, de infecção generalizada. Quatro dias antes, tinha dado à luz o terceiro filho
Foto: Reprodução
Da Editoria de Cidades

O Conselho Regional de Medicina de Pernambuco (Cremepe) informa que, nesta segunda-feira (10), pela manhã, resolveu abrir uma sindicância para investigar a morte da professora Deborah Laise Alves Pereira, 28 anos, e apurar possíveis responsabilidades sobre o fato. Os familiares acusam o plano de saúde Hap Vida e o Hospital Vasco Lucena, localizado na Boa Vista, área central do Recife, de negligência.
A professora morreu no sábado (8) pela manhã, de infecção generalizada. Quatro dias antes, na quarta-feira (5), tinha dado à luz o terceiro filho. Desde então, começaram as complicações que resultaram na sua morte. O corpo da professora foi sepultado, no fim da tarde do domingo (9), no Cemitério Parque das Flores, no bairro de Tejipió, Zona Oeste da capital pernambucana.


Uma sindicância pode ser aberta, pelos conselhos de medicina, após denúncia de paciente e/ou parentes. Nesse caso, a família de Deborah Laise ainda não fez a denúncia, mas o Cremepe resolveu apurar e investigar os fatos e as provas devido à repercussão do caso na imprensa.
“Após o nascimento de minha sobrinha, Deborah começou a se queixar, no mesmo dia, de dores fortes. Disseram que eram gases por causa da cesárea. Só que as dores não passavam, ela estava com pressão baixa, 33 graus de temperatura, ficando roxa e com dificuldade de respirar. Mesmo assim continuaram afirmando que eram gases. Não consideraram os sintomas clínicos, se baseavam somente em resultados de exames laboratoriais”, afirma a enfermeira Luiziane Alves Pereira, irmã da professora.
“Houve negligência e diagnósticos errados. Apenas na sexta-feira à noite, depois de muita insistência nossa, ela foi submetida a uma tomografia abdominal. Descobriram que Deborah tinha um litro de líquido na barriga e por isso teve que ser submetida às pressas a uma cirurgia. E mesmo diante da gravidade, fizeram a operação no Vasco Lucena, que não tem UTI. Após o procedimento a levaram de ambulância para o Hospital Capibaribe”, relata Luiziane.


A pedido da família, o corpo de Deborah foi necropsiado pelo Instituto de Medicina Legal (IML). O laudo só sai em 30 dias, mas o atestado indicou que a morte foi provocada por infecção generalizada. Parentes registraram um Boletim de Ocorrência na Central de Flagrantes pedindo investigação para averiguar se houve negligência. “Por minha irmã, pelos meus três sobrinhos que estão órfãos e para que isso não aconteça com outras mulheres, vamos colocar na Justiça e lutar até o fim para que os responsáveis sejam punidos”, ressaltou Luiziane.
"É um absurdo, inadmissível o que fizeram com minha esposa. Houve negligência e vamos cobrar na Justiça. Deborah estava feliz com o nascimento do nossa terceira filha. E acabou morta”, lamentou o marido dela, Genival Correia, 28. O casal já tinha um menino de 4 anos e uma menina de 1 ano e meio.

Resposta do plano

Em nota, o plano de saúde Hap Vida diz que lamenta "a perda de Déborah Alves e nos solidarizamos com a dor imensurável da família. Somos uma instituição que trabalha, continuamente, para salvar vidas. Por isso, dispomos de todos os recursos técnicos e humanos para promover a vida e a saúde", enfatiza.
O plano nega que houve negligência. "Nenhum procedimento foi negado. Disponibilizamos tudo que foi solicitado. Todos os profissionais médicos que acompanharam Déborah tinham a formação adequada, eram qualificados e experientes para atendê-la", assegura o Hap Vida. Por fim, a empresa informa que está apurando, "com toda seriedade e atenção", os procedimentos médicos adotados. E que se forem identificadas falhas, as medidas necessárias serão tomadas.
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