segunda-feira, 17 de abril de 2017

Cientistas encontram vestígio do vírus zika em outro mosquito além do Aedes aegypti


Aedes albopictus' é da mesma família e tem características muito parecidas com as do Aedes aegypti
Aedes albopictus' é da mesma família e tem características muito parecidas com as do Aedes aegypti Foto: Divulgação
ANNAPOLIS, EUA — Pesquisadores encontraram fragmentos de RNA (ácido ribonucleico) do vírus da zika em mosquitos "primos" do Aedes aegypti coletados no Brasil, levantando a preocupação de que outras espécies possam transmitir a doença.
Os testes foram feitos com mosquitos Aedes albopictus, que também são capazes de transmitir a dengue. Esses mosquitos, aliás, ganharam o apelido de "tigres asiáticos" porque são os responsáveis por surtos da doença na Ásia — em regiões onde não existe o Aedes aegypti. No entanto, até então, não havia indícios de que o mosquito pudesse carregar o vírus da zika.
A pesquisa não conclui que o mosquito tigre asiático pode transmitir zika aos seres humanos, mas destaca a necessidade de uma investigação mais aprofundada sobre novos vetores para o vírus que se espalhou rapidamente pelas Américas desde 2015. É o que afirma Chelsea Smartt, professora associada do Laboratório de Entomologia da Universidade da Flórida e principal autora do estudo a ser publicado esta semana na "Entomological Society of America's Journal of Medical Entomology".
— Nossos resultados significam que o Aedes albopictus pode ter um papel na transmissão do vírus da zika e deve ser motivo de preocupação para a saúde pública — ressalta ela. — Este mosquito é encontrado em todo o mundo e tem uma grande variedade de hospedeiros. O papel deste mosquito na transmissão do vírus da zika precisa ser avaliado.
Chelsea e uma equipe internacional de pesquisadores coletaram mosquitos em residências no Brasil e incubaram ovos no laboratório. Mosquitos Aedes albopictus machos testarm positivo para RNA de zika, o que significa que as fêmeas coletadas tinham entrado em contato com a zika e passaram fragmentos do vírus para os seus descendentes. Ainda não está claro, entretanto, se isso quer dizer que esse mosquito pode "transmitir verticalmente" o vírus da zika, dos pais para a prole.
— Como detectamos fragmentos de RNA de zika sem encontrar o vírus da zika vivo, pode ser que a mãe não tenha sido capaz de transferir o vírus vivo para seus ovos — explica a pesquisadora da Flórida.
Até agora, o Aedes aegypti é a espécie conhecida como o vetor primário para transmissão de zika a humanos, embora os pesquisadores suspeitem que outras espécies possam estar envolvidas. Chelsea Smartt diz que "extensa pesquisa ainda precisa ser feita" para confirmar se o A. albopictus também é um transmissor.
Enquanto isso, porém, os achados atuais enfatizam a necessidade de cautela entre cientistas e médicos.
— É importante testar para RNA de zika todos os mosquitos coletados em áreas com um grande número de casos da doença, e, se os os testes derem positivo, os mosquitos devem ser testados para verificar se o vírus está vivo.
PRESENTE EM ÁREAS RURAIS DO BRASIL DESDE ANOS 80
No Brasil, o Aedes albopictus chegou na década de 1980, nos estados do sudeste (Rio de Janeiro, Minas Gerais, São Paulo e Espírito Santo). Ele é considerado vetor secundário da dengue.
Apesar de não haver nenhum registro de exemplares adultos desse mosquito infectados com o vírus dengue no país, a espécie é alvo de estudos do Instituto Oswaldo Cruz (IOC) que monitoram o crescimento de sua população e investigam seus aspectos biológicos e ecológicos em comparação aos do A. aegypti.
Encontrado tanto na zona urbana como na rural, o A. albopictus tem preferência por áreas cobertas por vegetação — por isso é considerado um mosquito de jardim —, no entorno ou mais distante das residências, em regiões rurais.

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