terça-feira, 4 de abril de 2017

Árdua busca por sobreviventes após deslizamento de terra na Colômbia

Soldado recebe doações para as vítimas do deslizamento na Colômbia
Soldado recebe doações para as vítimas do deslizamento na ColômbiaFoto: RAUL ARBOLEDA / AFP
A difícil busca por sobreviventes continuava nesta segunda-feira em Mocoa, cidade do sul da Colômbia arrasada por um deslizamento de terra que deixou 262 mortos, entre eles pelo menos 43 crianças, e com o passar do tempo as chances de encontrar pessoas vivas diminuíam.
Dois dias após a catástrofe, aqueles que conseguiram se salvar da avalanche de terra, troncos e pedras causada pelo transbordamento dos rios, se aglomeram nos hospitais e nas portas do cemitério para saber sobre familiares.
"Falta minha filha Diana Vanesa que deixou um bebê de três anos, Santiago [...]. Tinha uma tatuagem no pé esquerdo com o nome do filho. Todos os dias saio em busca dela e nada, não consegui encontrá-la", conta à AFP Ercy López, de 39 anos, encostada em um colchonete em um abrigo com seus dois filhos e seu genro, todos com arranhões.
"E as esperanças de encontrá-la com vida são muito poucas", acrescenta ao falar Da filha de 22 anos, depois de perder a casa e ter que ficar agarrada a uma árvore, assim como o filho de 15 anos, que se segurou em um muro.
Um porta-voz da Cruz Vermelha colombiana indicou à AFP que a janela de buscas por sobreviventes prevista em desastres como estes pode se fechar nesta segunda-feira (3).
"As primeiras 48 horas de busca foram complicadas, efetivas, e achamos que o número de pessoas que temos que procurar de agora em diante é mínimo", disse à Rádio Caracol o diretor da Unidade Nacional para Gestão de Risco de Desastres (UNGRD), Carlos Iván Márquez, que lidera os esforços do governo para normalizar a situação em Mocoa.


- 262 feridos, mais de 200 desaparecidos -

Nessa região cortada por dezenas de rios já foram feitas varreduras aéreas e com botes para encontrar sobreviventes, e há mais de 400 pessoas de organismos de emergência trabalhando, explicou Márquez, que acrescentou que nesta segunda-feira começa a remoção de material com equipamentos, como parte do procedimento de busca e resgate.Além disso, foi aberta uma base de dados centralizada para facilitar a busca de pessoas que foram reportadas como desaparecidas, que segundo o último balanço entregue pela Cruz Vermelha somavam 220.
O deslizamento também deixou 262 feridos, muitos deles com gravidade, que estão sendo atendidos em hospitais de Mocoa e outras cidades: pelo menos 68 foram transferidos em aviões adaptados. "Podemos dar um parecer de que esta situação já foi controlada", assinalou Márquez.
Entre os que não encontram consolo após a perda de entes queridos, alguns lutam por suas vidas depois de se verem afundados na lama.
"Vomitei lama [...] espirrei lama, tudo era lama, até que eu pudesse voltar a respirar outra vez", contou Carlos Acosta, de 25 anos, que após ter sua casa inundada conseguiu se agarrar a um pedaço de madeira e se salvar, mas perdeu o filho Camilo, de três anos.
Várias pessoas velavam os mortos em suas casas, e muitos dos corpos identificados foram enterrados, constatou a AFP.
- Renascer da lama -

"O balanço, ainda parcial, é dramático", disse no domingo à nação o presidente Juan Manuel Santos, obstinado em fazer renascer da lama Mocoa, capital de Puntamayo, onde 45.000 pessoas foram atingidas, segundo a Cruz Vermelha. A cidade continua sem água corrente e 80% da população não têm energia elétrica.O presidente comandou nesta segunda-feira um conselho de ministros para responder à emergência, após o que decidiu declarar emergência econômica a fim de agilizar a reconstrução de Mocoa.
"No Conselho de ministros declaramos a emergência econômica, social e ecológica para poder efetuar as modificações e as transferências orçamentárias e adotar todas as medidas necessárias para responder a este desastre", disse o presidente Juan Manuel Santos em declaração na Casa de Nariño, sede da Presidência.
Santos também nomeou seu ministro da Defesa, Luis Carlos Villegas, gerente da reconstrução.
O governo também aprovou o envio de 40 bilhões de pesos colombianos (13,7 milhões de dólares) do fundo interministerial à Unidade Nacional para a Gestão do Risco de Desastres (UNGRD), que lidera os esforços para normalizar a situação em Mocoa, para atender às prioridades da emergência.
Reconstruir o aqueduto e restabelecer a energia elétrica são as prioridades, mas em ambos os casos levará tempo. Também é prioridade dar atenção ao tema sanitário, para o qual nesta segunda-feira se inicia uma campanha de prevenção e vacinação para evitar o surto de doenças.
Enquanto isso, os danificados recebem kits de ajuda alimentar e de higiene, assim como assistência psicológica e refúgio em cinco abrigos.
Para os que ainda mantêm suas casas e não perderam familiares, a situação também se complica pela falta de água e luz. "Isto tem sido terrível [...] sem poder cozinhar nem nada é muito difícil ficar", disse à AFP Julio Pardo, um comerciante de 32 anos que enviou sua família para fora da cidade.
Este deslizamento, que despertou a solidariedade mundial, superou o último grande desastre natural da Colômbia, uma avalanche em Salgar que deixou 92 mortos em maio de 2015.

 http://folhape.com.br/noticias/noticias/mundo/2017/04/03/NWS,23214,70,451,NOTICIAS,2190-ARDUA-BUSCA-POR-SOBREVIVENTES-APOS-DESLIZAMENTO-TERRA-COLOMBIA.aspx
PORTAL BOM JARDIM
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